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O autor, tendo lido intermitentemente Yeats, fala dos seus trinta e três anos

Joan Ferraté

I'm growing old – estou ficando tão
velho: digo-o em catalão.
E penso no passado: no severo
guri que fui, nascido para o desespero
do garoto que fui, do envilecido
adolescente que fui (ô povo maldito,
ô meu povo adusto!
Injuriado, injuriante: injusto!),
e no jovem feliz, hard put to die,
cândido e vicioso, que jamais
acreditava ser o professor
de grego que eu sou, porém
um sábio antigo, tão-só, I am
growin' old: esse é o meu clamor.


OITO DIAS MAIS TARDE, O AUTOR RETOMA,
EM PARTE, O FIO DO POEMA ANTERIOR,
PONDERANDO A SUA DECEPÇÃO


Se os deuses (ah, os deuses! Disso pouco sabem falar)
quisessem, aos olhos dos homens, me dar o ar
de um sábio verdadeiro, justíssimo, obstinado
em conceder realidade
a tudo aquilo que a cada um é outorgado
de razões humanas amáveis para viver, não
apenas por deferência, senão
antes pela convicção
de que eram dúcteis o bastante e que
não era preciso ensinar-lhes nadica
da sabedoria, justamente
porque todo mundo é livre para ter a sua mente;
se os deuses quisessem outorgar-mo,
já não conviriam as palavras de que me armo.
Mas a vida é triste, e o coração, muito vulgar.
Quero, contudo, o espelho quebrar.
FERRATÉ, Joan. Prova dos nove. Traducció de Ronald Polito i Josep Domènech Ponsatí. São Paulo: Espectro, 2008.
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