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Nada é mesquinho

Joan-Salvat Papasseit

Para Josep Obiols


Nada é mesquinho
nem hora nenhuma é intratável,
nem é escura a ventura da noite.
E o orvalho é claro
que o sol sai e fica pasmo
e tem vontade de tomar banho:
que se espelha a cama de toda coisa feita.

Nada é mesquinho,
e tudo rico como o vinho e a face corada.
E a onda do mar sempre ri,
Primavera de inverno — Primavera de verão.
E tudo é Primavera:
e toda folha verde eternamente.

Nada é mesquinho,
porque os dias não passam;
e a morte não chega nem sequer se foi chamada.
E se foi chamada disfarça uma cova para vocês
porque para nascer de novo vocês precisam morrer.
E nunca somos um pranto
mas um sorriso fino
que se dispersa feito gomos de laranja.

Nada é mesquinho
porque a canção canta em cada nadinha.
— Hoje, amanhã e ontem
se desfolhará uma rosa
e a virgem mais nova terá leite no peito.
PAPASSEIT, Joan-Salvat. Nada é mesquinho, o escambau: miniantologia. Traducció de Ronald Polito i Josep Domènech Ponsatí. São Paulo: Demônio Negro, 2009, pàg. 67.
Traduït per Ronald Polito
Ronald Polito
Fragments
Aleshores vindrà una nit - Carles Camps Mundó
Amor - Joan Brossa
Cançó de bressol - Josep N. Santaeulàlia
Certesa - Narcís Comadira
Curset de natació - Antoni Puigverd
Desordre - Narcís Comadira
El perquè de tot plegat - Quim Monzó
Furgant per les llivanyes i juntures - Maria-Mercè Marçal
Heura - Maria-Mercè Marçal
Molt diré - Joan Brossa
Monument - Joan Brossa
Morir: potser només - Maria-Mercè Marçal
Ningú podrà dir-te mai cap a On, - Carles Camps Mundó
Res no és mesquí - Joan-Salvat Papasseit
Serà l’instant després del temps - Carles Camps Mundó
Sumari astral - Joan Brossa
Viatges i flors - Mercè Rodoreda
Bibliografia
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